Beach Tennis 2026: O Ano em Que o Esporte Ganhou o Mundo e o Brasil Chegou ao Topo

O beach tennis nunca esteve tão perto de se firmar como o principal esporte de praia do planeta. O primeiro semestre de 2026 trouxe um conjunto de acontecimentos que reposicionam a modalidade no cenário internacional: um título mundial histórico para o Brasil, a entrada de novos mercados milionários no circuito profissional e mudanças estruturais na forma como os atletas são classificados.
Reunimos aqui os principais movimentos que estão redesenhando o mapa do beach tennis mundial neste ano.
Brasil Faz História e Vence o Mundial da IFBT
O marco mais celebrado do ano até agora veio da Itália. Entre 20 e 24 de maio de 2026, na praia de Sottomarina, em Chioggia, região de Veneza, a Confederação Beach Tennis do Brasil (CBTB) conquistou pela primeira vez o título geral do Campeonato Mundial da IFBT (International Federation of Beach Tennis).
Os números impressionam. Diante de atletas de 20 países, a delegação brasileira somou 90 medalhas ao todo, sendo 31 de ouro, 17 de prata e 42 de bronze. A Itália, tradicional potência da modalidade, ficou com a segunda colocação, e a Polônia completou o pódio geral.
Mais do que um troféu, a conquista simboliza o amadurecimento de uma estrutura nacional construída ao longo dos últimos anos. A campanha brasileira teve destaque em praticamente todas as faixas etárias, do Sub-14 às categorias máster, mostrando que o país deixou de ser apenas um celeiro de talentos individuais para se tornar uma potência coletiva, com profundidade de elenco em múltiplas categorias.

Arábia Saudita Entra no Mapa do Beach Tennis
Se o Mundial da IFBT marcou o presente, outro anúncio aponta para o futuro do dinheiro no esporte. A ITF (International Tennis Federation, hoje operando sob a marca World Tennis) confirmou que as Finals do ITF Beach Tennis Sand Series de 2026 serão disputadas em Al Ruwais Beach, em Jeddah, na Arábia Saudita, entre 26 de novembro e 5 de dezembro. É a primeira vez que o prestigiado torneio será realizado no país.
A competição chega com premiação ampliada: o valor sobe de US$ 125 mil para US$ 150 mil. O formato reúne as oito melhores duplas masculinas e femininas do mundo, classificadas pelo Sand Series Tour Final Race Rankings, ranking que soma os pontos obtidos em torneios BT400, eventos do Sand Series e no Mundial da ITF, considerando os dez melhores resultados de cada dupla.
O evento ainda contará com um torneio misto de exibição com premiação de US$ 35 mil, o primeiro evento profissional de duplas mistas de beach tennis realizado no país.
Para Matt Byford, diretor executivo de Beach Tennis da ITF, sediar a competição na Arábia Saudita oferece uma plataforma importante para expandir o esporte internacionalmente e inspirar a próxima geração de jogadores. Já Mohammed Alsarah, presidente da Federação Saudita de Tênis, afirmou que trazer o evento ao país está alinhado à visão de elevar o esporte e consolidar a Arábia Saudita como destino global de grandes competições.
A leitura é clara: o beach tennis passa a integrar o mesmo portfólio de investimento esportivo saudita que já abriga o WTA Finals e o Next Gen ATP Finals. Para uma modalidade que ainda busca escala global, é um sinal de legitimação e de aporte financeiro relevante.
A Nova Geração Ganha Palco: o ITF New Wave
Um dos movimentos mais estratégicos do circuito é o fortalecimento do ITF Beach Tennis New Wave, evento voltado a talentos emergentes que será novamente realizado em conjunto com as Finals do Sand Series. A competição reúne os principais atletas de 17 a 20 anos, selecionados a partir dos rankings adulto e Sub-18.
Após a estreia em formato de convite em 2025, o New Wave passa a ter um sistema próprio de classificação. É a resposta institucional a uma necessidade real: criar um caminho estruturado entre a base e a elite profissional, algo que esportes mais maduros já oferecem há décadas.
World Tennis Number: A Padronização Global Chega à Areia
Nos bastidores, uma mudança técnica pode ter impacto duradouro. O regulamento do ITF Beach Tennis World Tour de 2026, em vigor desde 1º de janeiro, prevê a introdução do World Tennis Number como sistema global de avaliação aplicável aos torneios da ITF.
Na prática, o número poderá ser usado para inscrição e definição de cabeças de chave nos torneios do circuito, sem substituir o ranking mundial tradicional. Trata-se de um passo em direção a uma linguagem comum de nível técnico entre países e federações, algo que atletas amadores e arenas do mundo inteiro já buscam há tempos com seus rankings internos.

Europa Segue Firme como Polo do Esporte
O calendário internacional continua robusto do outro lado do Atlântico. A IFBT confirmou o Campeonato Europeu de Beach Tennis de 2026 para Muravera, na Sardenha (Itália), entre 9 e 13 de setembro. A Itália segue sendo o coração histórico da modalidade, e a manutenção de eventos de grande porte no país reforça a rivalidade saudável com o Brasil, que ganhou novo capítulo em Chioggia.
O Brasil Como Vitrine Internacional
Em solo brasileiro, Balneário Camboriú se consolidou como uma das paradas mais desejadas do circuito. Em março de 2026, a Barra Norte recebeu o NU ITF World Tour BT400, com chancela da ITF e da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), reunindo a elite mundial em um evento que combinou esporte, música, gastronomia e experiências de marca à beira-mar.
O modelo de "torneio como festival" tem se mostrado eficaz para atrair público não praticante e converter espectadores em novos jogadores, um ciclo virtuoso que explica boa parte do crescimento explosivo do esporte no país.
O Que Esperar do Restante de 2026
Com o Europeu em setembro e as Finals do Sand Series em dezembro, o segundo semestre promete definir os grandes nomes do ano. Três tendências merecem atenção:
Internacionalização acelerada. A entrada do Oriente Médio no circuito sinaliza que o beach tennis deixa de ser um fenômeno restrito ao eixo Brasil-Itália.
Profissionalização da base. O New Wave e a padronização via World Tennis Number apontam para carreiras mais estruturadas e menos improvisadas.
Crescimento da base amadora. Enquanto a elite se profissionaliza, milhões de praticantes recreativos sustentam a economia do esporte, movimentando arenas, aulas, equipamentos e torneios locais.
Um Esporte em Ponto de Virada
O beach tennis chega à segunda metade de 2026 com uma identidade cada vez mais definida: competitivo o suficiente para atrair grandes investimentos, acessível o bastante para lotar quadras de bairro. O título inédito do Brasil no Mundial da IFBT e a chegada do circuito à Arábia Saudita são as duas faces da mesma moeda, a de um esporte que amadurece rápido e que ainda tem muito espaço para crescer.
Para o atleta amador que acompanha tudo isso da areia da sua arena, a mensagem é animadora: nunca houve tanta estrutura, tantos torneios e tantos caminhos possíveis para evoluir dentro da modalidade.
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