Quais Estados Mais Praticam Beach Tennis no Brasil?

O beach tennis é hoje um dos esportes que mais crescem no Brasil. Segundo a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), o país saltou de cerca de 400 mil praticantes em 2021 para a marca estimada de mais de 1 milhão nos anos seguintes, um crescimento que poucos esportes conseguiram replicar em tão pouco tempo.
Mas essa expansão não aconteceu de forma uniforme. Alguns estados se tornaram verdadeiros polos da modalidade, enquanto outros ainda estão começando. Afinal, quais estados mais praticam beach tennis no Brasil?
Antes de responder, um aviso importante: não existe um censo oficial que meça, estado por estado, o número exato de praticantes. O que temos são indicadores confiávei, quantidade de torneios, federações ativas, atletas no ranking da CBT e densidade de arenas. É a partir deles que se desenha o mapa a seguir.

Rio de Janeiro: O Berço da Modalidade
Tudo começou aqui. O beach tennis chegou ao Brasil em 2008, trazido por Leopoldo Correa e Adão Chagas, e Niterói foi o berço da modalidade no país. Em 2017, a cidade sediou o que foi então considerado o maior evento de beach tennis do mundo, reunindo mais de 700 atletas entre amadores e profissionais.
O estado mantém uma cultura de praia incomparável. Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca e as areias de Niterói concentram quadras que ficam cheias durante todo o ano. O Circuito de Beach Tennis do Rio, criado em 2013, é reconhecido oficialmente pela CBT e pela ITF e hoje contempla tanto profissionais quanto amadores.
São Paulo: O Maior Mercado do País
Se o Rio tem a origem, São Paulo tem a escala. O estado combina a maior população do Brasil, o maior poder aquisitivo e uma quantidade impressionante de arenas, muitas delas cobertas e longe do litoral, em cidades como Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e na própria capital.
Um dado revela bem a força paulista: vários dos melhores atletas do mundo escolheram morar em São Paulo, atraídos pela estrutura de treino e pelo volume de torneios disponíveis. O interior paulista também virou celeiro de talentos, com atletas de cidades como Araraquara e Ibitinga representando o Brasil em competições internacionais.
Santa Catarina: O Estado Que Joga o Ano Inteiro
Santa Catarina resolveu o principal gargalo do beach tennis brasileiro: a sazonalidade. Enquanto outros estados esvaziam no inverno, SC mantém o ritmo graças a uma rede robusta de arenas cobertas em São José, Joinville e Blumenau, complementando as praias de Balneário Camboriú, Florianópolis e do litoral norte.
Não por acaso, o primeiro torneio de beach tennis do Brasil aconteceu em Florianópolis, em 2010. Hoje, Balneário Camboriú recebe etapas do ITF World Tour e já sediou um Campeonato Mundial da modalidade.

Espírito Santo: A Potência Que Poucos Esperavam
O estado mais surpreendente da lista. Com mais de 400 km de litoral, clima quente quase o ano todo e areia de excelente qualidade, o Espírito Santo construiu um ecossistema esportivo desproporcional ao seu tamanho.
Vitória, Vila Velha e Guarapari concentram a maior parte das quadras capixabas, entre clubes, espaços públicos e arenas temporárias montadas para torneios. A Federação Capixaba de Tênis investe de forma consistente em base e na formação de professores, e o estado se firmou como sede recorrente da Copa das Federações de Beach Tennis, o principal torneio interestadual da modalidade no Brasil.
Proporcionalmente à população, o ES é provavelmente o estado com maior densidade de praticantes do país.
Os Estados em Ascensão
Além do "top 4", outras regiões merecem atenção:
Paraná: o litoral de Caiobá e Matinhos recebe etapas internacionais, e Curitiba desenvolveu forte cultura de arenas indoor.
Ceará e Nordeste: Fortaleza, Natal e Recife têm crescimento acelerado, impulsionados por clima favorável o ano inteiro e praias de areia firme. É a fronteira de expansão mais promissora do esporte.
Rio Grande do Sul: apesar do inverno rigoroso, o estado compensou com arenas cobertas e uma comunidade competitiva bastante organizada.
Minas Gerais e Goiás: a prova de que o beach tennis não depende de praia. As arenas construídas em áreas urbanas mostram que areia importada e boa estrutura bastam para criar comunidades vibrantes.
O Que Explica a Força de um Estado?
Analisando o mapa, três fatores aparecem sempre:
Litoral não é obrigatório, mas ajuda. Praia dá visibilidade e porta de entrada gratuita ao esporte. Só que Minas, Goiás, Brasília e o interior paulista provam que arena coberta funciona igual, e ainda resolve chuva e sol forte.
Federação ativa faz diferença. Estados com federações organizadas geram calendário de torneios, e torneio frequente é o que faz o atleta amador evoluir e permanecer no esporte.
Densidade de arenas cria comunidade. Quanto mais fácil encontrar quadra e parceiro de jogo, mais gente permanece jogando. A barreira de entrada do beach tennis raramente é o preço: é não saber com quem jogar.
Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo formam hoje o núcleo duro do beach tennis no Brasil, cada um por um motivo diferente: origem, escala, estrutura e densidade. Mas o mais interessante é que esse mapa muda a cada ano, com o Nordeste e o Centro-Oeste avançando rápido.
A lição para atletas e donos de arena é clara: o crescimento do esporte não depende de geografia, e sim de estrutura, calendário e comunidade. Onde existem esses três elementos, o beach tennis floresce, com ou sem mar por perto.
E no seu estado, como está o beach tennis? Encontre uma arena perto de você e faça parte desse crescimento.
